quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Orgulho e Preconceito: não é nacional, mas o nome serve aos propósitos

   Olá, leitores.

   Este blog ESTAVA em recesso. Diante, porém, de dias tão agitados na atmosfera literária, não pude deixar de lhes falar um pouco.

   Na noite passada, foi publicada uma denúncia que levava o nome da editora Novo Conceito por água abaixo, na minha opinião, pelo blog Porre Literário. Segundo Karina Andrade, blogueira e jornalista, uma fonte havia dito que os direitos autorais dos autores Chico Anes, Tammy Luciano, Fernanda Saads e Maria Fernanda Guerreiro ainda não haviam sido pagos, e que o selo Novas Páginas, lançado em agosto do ano passado e que prometia apoio aos autores nacionais seria cancelado.

   Tal denúncia revoltou autores, leitores e blogueiros nacionais na mesma hora - e não era pra menos, não? Logo surgiu a tag #EditorasInvistamEmNacionais no Twitter, onde várias pessoas - dentre elas, eu - demonstraram sua revolta com o ocorrido.


   Tudo tem um lado contrário, e não demoraram a chegar os "cabeças" e a dizer que a culpa não era só da editora. Tenho algumas palavras guardadas aqui: ÓBVIO QUE NÃO! QUEM FOI QUE FALOU ISSO? É claro que toda essa situação foi gerada pela denúncia envolvendo a editora parceira deste blog e de tantos outros, mas a questão não é APENAS o descaso da Novo Conceito com os autores nacionais. A bandeira que está sendo erguida tem a ver com o Brasil, e não com uma editora isolada.

   Aí sempre tem um que quer contrariar de novo, repetir o argumento com outras palavras e ser sarcástico. Sempre que alguém insiste muito em uma coisa, dizem as más línguas que é preciso concordar. Conselhos de médicos, creio. Vamos concordar, então:

- Não, a culpa não é só da Novo Conceito. Também não é de qualquer outra editora de maneira isolada;
- Sim, a culpa também é dos leitores que acham "pop" ler livros internacionais, porque os do Brasil "são ridículos, têm temas meio assim", etc. Primeiro que essas criaturas são incapazes de explicar seus pontos de vista e apelam - SEMPRE! - para o "ah, sei lá, é meio assim". Assim como, mula?!;
- Sim, o governo também é culpado (já que estamos no Brasil e que tudo aqui se resume a culpar o governo, e não a quem deixou que os pilantras tomassem conta do poder) por não abaixar impostos e não incentivar a leitura (se bem que esta parte NÃO pode ser tomada como uma afirmativa completamente verdadeira; já cheguei a encontrar ótimos livros com o selo do Estado jogados na rua, na chuva, sem páginas, etc. Não se pode culpar o governo pela pouca educação dispensada às crianças em casa - porque escolaridade é diferente de educação. Aquela é obtida nos colégios, esta é obrigação de seus pais/familiares).

   Eu, você, qualquer amigo seu, familiar, conhecido ou desconhecido seria capaz de listar inúmeros motivos para a pequenez da atenção dada aos livros nacionais (aliás, aos livros, de maneira geral). A questão é: resolve alguma coisa nós passarmos meses analisando o sistema injusto no qual vivemos e anotando itens desfavoráveis? NÃO, sinto muito, galera.

   A verdadeira questão é: qual dos itens podemos mudar primeiro? Temos que começar de algum lugar, afinal. O que VAMOS fazer? Ficar paradinho na frente do computador, compartilhar uma foto no facebook e esperar que tudo dê certo? Já fizemos isso. Não deu certo.

   Como já disse na página do blog e no meu facebook pessoal, cancelarei a parceria com a editora NC caso isso tudo seja verdade. Mas a questão não é mais essa. Algo precisa ser feito, e não há livro de graça que compre minha consciência. EU TENHO ORGULHO DE LER LIVROS NACIONAIS! É por isso que deixo aqui meu comunicado: Não é preciso agir como Policarpo Quaresma. Ninguém jamais deixará de ler/comprar/emprestar livros internacionais, até porque, sim, há livros muito bons, às vezes obrigatórios para nossa vida literária, digamos assim. O que acontece é que precisamos ler/COMPRAR/emprestar livros nacionais. Brasileiro tem mania de comprar 30 mil livros de fora do país e baixar tudo o que lê de nacional. CHEGA DISSO!  Livros nacionais não são lidos por pena, são lidos porque são bons, porque têm valor! Valorize-os você também, leitor, ao invés de se juntar à turma do sarcasmo. Sarcasmo em demasia só é legal em personagens de livros, que, em geral, são os vilões. Vão me desculpar, mas vocês não gostariam de viver como vilões, não têm seus poderes e não são tão bonitos. =)

   Por último, explico a utilização do nome do livro de Jane Austen como título da postagem (e isso não tem nada a ver com o teor do livro, até porque ainda não o li): Tenho orgulho de autores nacionais, e tenho - TENHO MESMO! Me crucifiquem por isso! - preconceito com quem fala mal de nacionais sem nunca ter lido um bom exemplar. Quem quiser dicas, é só perguntar que a tia aqui faz uma lista de bons livros.

   Beijos, sociedade!



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11 comentários:

Josy Tortaro disse...

Perfeito, Nika, falou com eloquência! Parabéns!!!

Karina Andrade disse...

Eu assino embaixo!
=)

Tem gente me chamando de mentirosa...qualé!? Falei com quatro pessoas para averiguar. Sei de muito mais que seria de cair o queixo. Mas nada de tantos alardes.

Beijos, parabéns pelo post.

Ben Green disse...

Boa tarde Nika!

Foram ótimas as suas palavras, inclusive, a coragem de falar de uma editora parceira. Parabéns!

Eu só espero que tudo isso não caia no efeito Tostines. Editoras culparem os leitores por não comprarem nacional e leitores alegarem que não tomaram conhecimento do livro porque a editora não divulgou.

Cada um tem que fazer sua parte e PRINCIPALMENTE a editora já que há PROFISSIONAIS por lá!

Forte Abraço,

Ben Green
www.bengreen.senhordalenda.com.br

NikaSanc disse...

Obrigada, Josy! Você, mais do que ninguém, sabe que eu apoio nacionais como se todos fossem meus. <3

Oi, Karina! Que bom ter seu comentário aqui! Eu já estava procurando alguma rede social sua pra avisar que havia postado o que você disse.
Mentira, a meu ver, é dizer que nacional não vende, que não vale a pena. Você fez muito bem de trazer isso à tona! Parabéns a você, também! E obrigada pela visita. *-*

Paola disse...

Mal do governo eu não falo. Tem mil e um defeitos em Brasília, sei bem, mas o governo não tem nada que se meter no mercado editorial, e, no geral, não o faz. O problema maior é o preconceito do povo contra autores nacionais (mesma coisa em relação ao cinema nacional: os filmes brasileiros dos aos 80 eram uma droga, e então criou-se a ideia de que o cinema brasileiro não será bom jamais). Em segundo lugar, naturalmente, a falta de investimento das editoras nesses autores. Já vi, sim, muito comercial impresso em revistas de grande circulação, mas esses se referiam a livros de autores já muito conhecidos, como Coelho, Buarque, Jabor, Jô Soares... Mas autores novos? Nunquinha! Aí, realmente não tem como vender...

Karina Andrade disse...

Eu que agradeço o apoio!
Tem blogueiros me ofendendo gratuitamente, e eu sem entender. Eu dou minha cara a tapa, e saio como "vilã".
Mas tudo bem, vou postar algo que será realmente inquestionável...até à noite. Beijos flor!
=)

NikaSanc disse...

Obrigada pelos recados, pessoal! Essa situação toda é lamentável...

Karina, querida, não é você quem tem que dar a cara a tapa. É a editora. Esse recado cheio de firulas enviado hoje não me deixou muito feliz, não. Vou esperar mais alguns dias para ver no que vai dar isso. Não quero tomar decisões precipitadas porque gosto muito do relacionamento que a NC mantém com os blogueiros, etc. O problema é que isso agora parece tão frágil, fajuto... Não conheço UMA pessoa que goste mais de e-books do que de livros físicos. Não é assim que conseguirão apoiar ninguém. Gostaria de não precisar cancelar a parceria, mas a minha consciência e meu amor pela literatura nacional valem muito mais do que isso tudo.
Beijos, menina!

Roxane Norris disse...

Nika, excelente post.
Parabéns pelas colocações, mas vou acrescentar que falta tb a muito autor nacional a conscientização do seu papel na máquina editorial e a desmistificação de certos contextos literários.
Beijokas querida!

Ana Ferreira disse...

Nika, cheguei até seu texto através de um retweet no Twitter e gostei muito de ver seu posicionamento.
Concordo com você em vários, vários pontos. Tenho raiva dessas pessoas que vivem reclamando de livros nacionais sem nunca sequer terem tocado em um. E é bem como foi mencionado no texto, nem sabem explicar os motivos. Preferem um besteirol que arrasa nas vendas, em Nov York, em Paris, a uma história mais próxima da nossa realidade, em São Paulo, no Rio.
Acima de tudo, acredito que falte incentivo e profissionalismo, pois muitos autores contemporâneos nacionais, sem conseguirem boas respostas, acabam vendendo seus direitos a editoras que realizam um trabalho de revisão totalmente sujo. E estes, sim, eu não compro. Acho que é muito descaso com o autor, com o livro e com o leitor.
As editoras de maior prestígio poderiam dar mais abertura aos "brazucas" e as pequenas (não estou generalizando, sei que há várias de qualidade estimável), poderiam ser mais profissionais também. Os livros no Brasil, infelizmente, já são caros demais para termos um produto mal feito.
A verdade é que a carreira literária por aqui, estando bastante ligada à cultura e à educação, é tão penosa quanto tudo que se diz respeito a estes âmbitos. Mas a gente tem que insistir, tem que pressionar. Acho que faltam concursos, faltam oficinas de texto e muitas outras coisas.
Agora, sem querer divagar e voltando ao ponto da editora, se tudo isso for verídico, ficarei extremamente chateada. Por terem chegado onde chegaram, servindo de exemplo para muita gente por aí, esses autores do selo merecem, no mínimo, respeito.
Vou aguardar por outros pronunciamentos mais esclarecedores.
Um grande abraço!

Karina Andrade disse...

Obrigada! Tá sendo bem difícil alguns blogueiros aceitarem a real. Preferem a máscara da editora. Fazer o quê? Minha parte eu fiz...
=(

NikaSanc disse...

Concordo, meninas! Eu deixei de listar essas coisas porque queria falar logo. Se fôssemos listar todos os itens desfavoráveis, levaríamos meses e não teríamos resultado algum.

Karina, você já ouviu falar da filosofia do passarinho? Há um incêndio e nós, com as gotinhas de água que cabem no nosso bico, não vamos conseguir apagá-lo. Mas estamos fazendo a nossa parte. Em algum momento, esse incêndio irá destruir alguma coisa, e eu realmente espero que seja essa falta de educação, de, além de não pagar os autores, ainda querer vender só ebook. Prefiro ser um passarinho que um prédio em chamas. Frente às declarações feitas e tudo o mais, acredito que você também. =)

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